
Colunista da Semana
Por Vinicius Manholer Santana
Vice Coordenador de Jovens e Contra Baixista da Igreja
Riqueza e Pobreza
“E, vendo Jesus que
ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os
que têm riquezas! Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha
do que entrar um rico no Reino de Deus.” Lc 18.24,25
Uma das declarações mais surpreendentes feitas por nosso Senhor é que é muito
difícil um rico entrar no reino de Deus. Este, porém, é apenas um dos seus
ensinos sobre o assunto da riqueza e da pobreza. Esta sua perspectiva é repetida
pelos apóstolos em várias epístolas do NT.
RIQUEZA.
(1) Predominava entre os judeus daqueles tempos a idéia de que as riquezas eram
um sinal do favor especial de Deus, e que a pobreza era um sinal de falta de fé
e do desagrado de Deus. Os fariseus, por exemplo, adotavam essa crença e
escarneciam de Jesus por causa da sua pobreza (16.14). Essa idéia falsa é
firmemente repelida por Cristo (ver 6.20; 16.13; 18.24,25).
(2) A Bíblia identifica a busca insaciável e avarenta pelas riquezas como
idolatria, a qual é demoníaca (cf. 1Co 10.19,20; Cl 3.5). Por causa da
influência demoníaca associada à riqueza, a ambição por ela e a sua busca
freqüentemente escravizam as pessoas (cf. Mt 6.24).
(3) As riquezas são, na perspectiva de Jesus, um obstáculo, tanto à salvação
como ao discipulado (Mt 19.24; 13.22). Transmitem um falso senso de segurança
(12.15ss.), enganam (Mt 13.22) e exigem total lealdade do coração (Mt 6.21).
Quase sempre os ricos vivem como quem não precisa de Deus. Na sua luta para
acumular riquezas, os ricos sufocam sua vida espiritual (8.14), caem em tentação
e sucumbem aos desejos nocivos (1Tm 6.9), e daí abandonam a fé (1Tm 6.10).
Geralmente os ricos exploram os pobres (Tg 2.5,6). O cristão não deve, pois, ter
a ambição de ficar rico (1Tm 6.9-11).
(4) O amontoar egoísta de bens materiais é uma indicação de que a vida já não é
considerada do ponto de vista da eternidade (Cl 3.1). O egoísta e cobiçoso já
não centraliza em Deus o seu alvo e a sua realização, mas, sim, em si mesmo e
nas suas possessões. O fato de a esposa de Ló pôr todo seu coração numa cidade
terrena e seus prazeres, e não na cidade celestial, resultou na sua tragédia (Gn
19.16,26; Lc 17.28-33; Hb 11.8-10).
(5) Para o cristão, as verdadeiras riquezas consistem na fé e no amor que se
expressam na abnegação e em seguir fielmente a Jesus (1Co 13.4-7; Fp 2.3-5).
(6) Quanto à atitude correta em relação a bens e o seu usufruto, o crente tem a
obrigação de ser fiel (16.11). O cristão não deve apegar-se às riquezas como um
tesouro ou garantia pessoal; pelo contrário, deve abrir mão delas, colocando-as
nas mãos de Deus para uso no seu reino, promoção da causa de Cristo na terra,
salvação dos perdidos e atendimento de necessidades do próximo. Portanto, quem
possui riquezas e bens não deve julgar-se rico em si, e sim administrador dos
bens de Deus (12.31-48). Os tais devem ser generosos, prontos a ajudar o
carente, e serem ricos em boas obras (Ef 4.28; 1Tm 6.17-19).
(7) Cada cristão deve examinar seu próprio coração e desejos: sou uma pessoa
cobiçosa? Sou egoísta? Aflijo-me para ser rico? Tenho forte desejo de
honrarias, prestígio, poder e posição, o que muitas vezes depende da posse de
muita riqueza?
POBREZA.
Uma das atividades que Jesus avocou na sua missão dirigida pelo Espírito Santo
foi “evangelizar os pobres” (4.18; cf. Is 61.1). Noutras palavras, o evangelho
de Cristo pode ser definido como um evangelho dos pobres (MT 5.3; 11.5; Lc 7.22;
Tg 2.5).
(1) Os “pobres” (gr. ptochos) são os humildes e aflitos deste mundo, os quais
clamam a Deus em grande necessidade, buscando socorro. Ao mesmo tempo, são fiéis
a Deus e aguardam a plena redenção do povo de Deus, do pecado, sofrimento, fome
e ódio, que prevalecem aqui no mundo. Sua riqueza e sua vida não consistem em
coisas deste mundo (ver Sl 22.26; 72.2, 12,13; 147.6; Is 11.4; 29.19; Lc 6.20;
Jo 14.3 nota).
(2) A libertação do sofrimento, da opressão, da injustiça e da pobreza, com
certeza virá aos pobres de Deus (Lc 6.21).